Observatório da Cidadania lança painel sobre os Povos Originários em Mato Grosso do Sul

Postado por: Equipe OCMS

Plataforma on-line reúne informações sobre distribuição territorial, perfil populacional e condições socioeconômicas

O Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul lança nesta quarta-feira, dia 15 de abril de 2026, às 9h30, na Secretaria de Estado de Cidadania, o Painel Povos Originários, em Campo Grande – MS. 

A plataforma, inédita, gratuita e de fácil navegação, traz dados organizados em seções sobre população e território, natalidade e envelhecimento, educação, moradia e etnias, bem como sobre povos ou grupos indígenas em Mato Grosso do Sul e nos 79 municípios.

“Este painel tem como objetivo dar visibilidade à presença e à diversidade dos povos originários em Mato Grosso do Sul. Ao reunir informações sobre distribuição territorial, perfil populacional e condições socioeconômicas, ele tem como propósito contribuir para o reconhecimento das especificidades culturais e históricas desses povos e para o fortalecimento de políticas públicas mais justas e direcionadas”, argumenta o coordenador do Observatório da Cidadania, professor Samuel Leite de Oliveira.

A iniciativa foi construída com base em informações do IBGE (Censo 2022) e da Funai, considerando pessoa indígena aquela que é residente em localidades indígenas, que se declarou indígena pelo quesito cor/raça ou pelo quesito “se considera indígena”; ou a pessoa residente fora das localidades indígenas que se declarou indígena no quesito cor/raça.

As localidades indígenas compõem o conjunto das Terras Indígenas, dos agrupamentos indígenas e das demais áreas de conhecida ou potencial ocupação indígena. São consideradas Terras Indígenas as declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como Reservas Indígenas até 31/07/2022, conforme dados da FUNAI. 

Abaixo estão alguns pontos de destaque das seções do Painel Povos Originários em MS.

População e Território

Mato Grosso do Sul tem a terceira maior população indígena do Brasil, com um total de 116.469, o número é 6,9% em relação ao total da população indígena brasileira. No estado, 59% deles têm domicílio em terras indígenas, a maioria é formada por jovens entre 15 a 29 anos e 50,7% são mulheres. Os municípios de Campo Grande, Dourados, Amambai, Aquidauana e Miranda concentram a maior parcela desta população, respectivamente.

Natalidade e Envelhecimento

Entre crianças de 0 a 5 anos, o painel apresenta o levantamento dos registros de nascimento realizados em cartórios — o Registro Civil, o RANI (Registro Administrativo de Nascimento Indígena), emitido pela FUNAI, que reconhece a identidade indígena e o vínculo com o povo, mas não substitui a Certidão de Nascimento. Além dos subregistros, quando a Certidão de Nascimento não é emitida no cartório no prazo legal e ainda há crianças sem qualquer registro de nascimento.

Já o índice de envelhecimento é apresentado pela proporção entre a população idosa (pessoas com 60 anos ou mais) e a população jovem (menores de 15 anos). Em Mato Grosso do Sul, o índice de envelhecimento fora de terras indígenas é de 53,1 e em terras indígenas é de 17,7.

Educação

Na seção Educação, é possível acompanhar o detalhamento dos níveis de ensino, do básico ao superior, por idade. Ainda têm disponível a média de anos que as pessoas indígenas com 11 anos ou mais frequentaram a escola e a taxa de alfabetização entre pessoas com 15
anos ou mais.

Entre os pontos expostos, um deles é que dos 2,7 mil que cursaram o ensino médio, 2,4 mil avançaram para a conclusão do ensino superior, e 276 indígenas continuaram os estudos, sendo que 200 seguiram com uma especialização, 71 com mestrado e 5 com doutorado.
A taxa de alfabetização é a maior entre a população indígena de 15 a 17 anos com índice de 97,9%, na sequência, 97,5% entre os de 18 e 19 anos e 96,9% entre 20 a 24 anos. A menor taxa de alfabetização é entre as pessoas indígenas de 75 anos ou mais, com 42,9%.

Na frequência escolar, os indígenas com 18 a 29 anos foram os que mais passaram tempo na sala de aula, com uma média de 9 anos. Os que menos frequentaram a escola foram os de 80 anos ou mais, com média de 1 ano. 

Moradia: Condição de Ocupação

Em Mato Grosso do Sul são 41.825 moradias indígenas, 57% delas estão fora de terras indígenas. Em Campo Grande, a cidade com a maior quantidade de domicílios indígenas (10.117), todos estão fora de terras indígenas. Dourados, que aparece em segundo lugar, tem um total de 4.158 moradias, sendo 2.106 dentro de terras indígenas e o restante fora delas. Amambai é o município com a maior quantidade de moradias dentro de terras indígenas, 2.618. Alcinópolis é o município com a menor quantidade de domicílios indígenas: 2. Nas  moradias indígenas, em quase 65,0% as pessoas têm acesso a banheiro exclusivo, em 23,98% não há acesso a instalações sanitárias adequadas e 66,2% estão sem acesso ao esgotamento sanitário na residência.

Em relação ao abastecimento de água, dentro das terras indígenas, 32,6% têm rede geral de distribuição, poço, fonte, nascente ou mina encanada até dentro do domicílio. Para quem está fora das terras indígenas, o índice é de 67,4%.

O Painel Povos Originários do Observatório da Cidadania também traz uma seção que mostra que há 139 etnias, grupos ou povos indígenas, e que há um total de 48 línguas indígenas faladas ou utilizadas no estado.

Campo Grande tem 92 etnias, Dourados, 46, Três Lagoas com 29, Corumbá com 17 e Aquidauana com 15. Figueirão é o município sem etnia indígena. 

Todas essas informações estão detalhadas e disponíveis gratuitamente no link: http://www.observatoriodacidadania.ufms.br.